Uma definição simples de Transtorno Bipolar pode ser: sofrimento mental no qual a pessoa apresenta momentos de euforia exagerada e descontrolada, intercalados com períodos de profunda tristeza e outros sintomas depressivos.

Transtorno Bipolar I – quando a pessoa apresenta momentos de mania ou misto (mania e depressão) com ou sem psicose e/ou depressão. A palavra “mania” aqui significa crises de euforia exagerada, como veremos adiante. E “psicose” significa o que popularmente se chama de “loucura”, quando a pessoa sai da realidade.

Transtorno Bipolar II – apresenta episódios hipomaníacos com depressão, sem relato de crises maníacas. Ou seja, a pessoa tem momentos com crises maníacas mais atenuadas (hipomania), que se intercalam com períodos de depressão.

Ciclotimia – sintomas hipomaníacos e também depressão que não se encaixam no critério para o Transtorno Bipolar II e nem em episódios depressivos graves.

Transtorno Bipolar não especificado ou misto – os sintomas não são suficientes para o diagnóstico do Tipo I ou II.

Para saber que a pessoa tem depressão, é preciso que ela apresente por pelo menos duas semanas 5 dos sintomas abaixo sendo que pelo menos um tem que ser humor depressivo ou perda do prazer ou interesse nas coisas:
(1)
Significativa perda (sem estar em dieta) ou ganho de peso, e diminuição ou aumento do apetite.
(2)Insônia ou hipersonia (sono excessivo) quase que diariamente.
(3)Fadiga ou perda da energia diariamente.
(4)Sentimentos de desvalor ou culpa excessiva ou inapropriada frequente.
(5)Pensamentos recorrentes (que se repetem) de morte (não só medo de morrer), ideia repetidas de suicídio com plano específico, ou tentativa de suicídio.

Estes sintomas causam importante perturbação na capacidade de trabalhar, e na interação social, não têm que ver com uso de substâncias e nem ligados a alguma doença clínica (ex.: hipotireoidismo), não estão relacionados com luto, e duram pelo menos duas semanas.

Para o diagnóstico de uma crise de mania ou maníaca são necessários pelo menos três sintomas, dentre os seguintes, além do estado alterado do humor com persistente euforia exagerada: (1)Autoestima inflada e grandiosidade. (2)Diminuição da necessidade de dormir. A pessoa dorme 3 horas e se sente descansada. (3)Mais falante do que o habitual, necessidade de falar constantemente. (4)Fuga de ideias ou sensação de que os pensamentos estão acelerados. (5)Distração, ou seja, qualquer coisa do ambiente tira a atenção da pessoa. (6)Agitação psicomotora. (7)Excessivo envolvimento em atividades prazerosas com potencial para causar consequências dolorosas (compras exageradas, indiscrição sexual, investimentos econômicos ilógicos, etc.). As alterações do humor produzem perturbação grave nos relacionamentos sociais, no trabalho, e podem levar a internação hospitalar. Nesta fase de mania a pessoa se apresenta muito irritadiça, especialmente se alguém for pedir para ela se acalmar.

Na hipomania os sintomas são semelhantes aos da mania, bem menos graves, e perturbando muito menos a vida social da pessoa, sem levar à psicose e não precisando de internação.

O Transtorno Bipolar atinge cerca de 4% das pessoas nos Estados Unidos, afeta pessoas de qualquer raça, sexo, classe social. É mais comum abaixo de 25 anos de idade, e geralmente inicia entre 18 e 22 anos de idade.

A causa da doença ainda é desconhecida. Filhos de pais bipolares têm uma média de 10% a mais de chance de terem a doença. Bipolares que sofreram abusos variados na infância tiveram um início mais cedo e um curso mais longo da doença do que crianças que não sofreram importantes abusos mas que tiveram crises bipolares.

O tratamento que deve ser feito por médico psiquiatra e envolve medicação para a fase maníaca (olanzapina, quetiapina, aripiprazol, risperidona, ziprazidona, haldol, lítio, carbamazepina, ácido valpróico, etc.), e para a fase depressiva (antidepressivos), orientação da família, e dependendo do caso pode ser necessária internação hospitalar.
_______

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza
www.portalnatural.com.br